A depressão é uma das perturbações mentais mais frequentes na população geral.
De acordo com dados recentes, a depressão major unipolar é a quinta causa de incapacidade a nível mundial, sendo responsável por cerca de 4% de todas as doenças.
Os sujeitos (por vergonha e até mesmo medo de perder o emprego), costumam manter em segredo a sua depressão.
Mas mesmo que procurem ajuda médica, esta doença continua ainda a ser obscura: os médicos escolhem não a diagnosticar e sim medicar; a sua causa é desconhecida; o tratamento é visto com desconfiança; outras patologias são consideradas mais importantes.
As perturbações afectivas ou de humor, são um grupo de situações relacionadas (incluindo os distúrbios depressivos, a mania e a hipomania) na qual a perturbação primária parece ser do humor ou dos afectos.
As características fundamentais dos distúrbios depressivos são:
- Humor deprimido
- Diminuição da energia
- Perda do interesse ou da capacidade de sentir prazer
Um estudo de revisão de Piccinelli, concluiu não existirem limites entre a depressão major e a perturbação de ansiedade generalizada.
A depressão é um distúrbio frequentemente, com graves consequências pessoais, interpessoais e sociais, afectando a população em geral.
Existem estudos em que é afirmado ”ser uma das maiores epidemiologias do século".
A falta de reconhecimento da depressão ao nível dos cuidados de saúde primários podem-se resumir do seguinte modo:
- Os próprios doentes ignoram a sua depressão;
- Medo do estigma das doenças mentais;
- Preocupação com os efeitos colaterais dos medicamentos;
- Diagnóstico errado dos sintomas somáticos;
- Falta de identificação da depressão nos doentes com doenças físicas conhecidas;
- Justificar a depressão em determinadas circunstâncias, considerando-se como "compreensível".
Descrito na ICD – 10 e DSM-IV
Humor deprimido na maior parte do tempo, quase todos os dias;
Perda de interesse ou prazer em todas ou quase todas as actividades (incluindo actividade sexual) na maior parte do tempo, quase todos os dias;
Alteração do apetite e/ou perda ou ganho de peso, sem estar em dieta (+/- 5% do peso corporal num mês);
- Insónia ou hipersonia quase todos os dias;
- Agitação ou retardo psicomotor quase todos os dias;
- Fadiga ou perda de energia quase todos os dias;
- Sentimento de inutilidade ou culpa excessiva ou inadequada;
- Capacidade diminuída de pensar ou concentrar-se, ou indecisão, quase todos os dias;
- Pensamentos recorrentes de morte (não apenas medo de morrer), ideias ou tentativa de suicídio.
Causas da depressão:
A depressão tem muitas causas, incluem:
- Factores genéticos
- Distúrbios dos neurotransmissores
- Factores psicológicos:
- Experiências adversas na infância
- Dificuldades crónicas major
- Acontecimentos indesejáveis
- Rede social limitada
- Baixa auto-estima
Tratamentos físicos da depressão:
Existem técnica através de aparelhos específicos, para tentar reduzir ou tratar a depressão.
Temos então:
- Terapia Electroconvulsiva (estupor depressivo, incapacidade de comer ou dormir, risco elevado de suicídio, ilusões depressivas, lentificação psicomotora marcada, etc.). Este tipo de intervenção é particularmente eficaz quando existe uma actividade motora anormal (por ex.: catatonia, estupor e parkinsonismo ).
- Fototerapia, esta está mais associada ao tratamento do distúrbio afectivo sazonal.
- Estimulação Magnética Transcraniana, esta técnica ainda é bastante limitada, estando actualmente a serem efectuados mais estudos.
- Tratamentos com Terapias Psicológicas:
- Terapia Cognitiva – Comportamental, esta terapia tem como base o tratamento por resolução de problemas.
- Aconselhamento Não – Directivo, é a técnica «centrada no cliente», desenvolvida por Carl Rogers.
- Terapia Interpessoal, é referenciada como “ TIP”, desenvolveu-se a partir das «ideias neo - Freudiana» de Harry Stack Sulivan(1982-1949). Os pressupostos básicos da “TIP”, em que os problemas emocionais são o resultado de relações interpessoais.
- Aconselhamento no luto, Parkrs, reviu vários estudos que determinaram a eficácia do aconselhamento no luto (morte súbita, aborto ou morte de um bebé, múltiplas perdas anteriores, morte por acidente, sida, crime, etc.)
Objectivos da Terapia Cognitiva de Beck
A terapia cognitiva de Beck é uma terapia activa, directiva, estruturada e limitada no tempo, em média com quinze a vinte sessões, cujos objectivos principais são:
- Ensinar o paciente a reconhecer as cognições negativas e as conexões entre cognição;
- Afecto e comportamento;
- Examinar as evidências contra e a favor do pensamento que são automaticamente distorcidos, imaturos e substituir estas cognições por interpretações mais orientadas para a realidade.