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Esquizofrenia

1. Artigos Empíricos da Esquizofrenia
O Psicólogo, deve ter em consideração, não só o facto de se instruir no sentido de prestar serviços a pacientes com perturbações psicológicas, mas também, ter objectivos numa melhor compreensão das complexidades da realidade humana.
Para isso, usa meios sistemáticos de recolha de informação. Seguidamente, reflecte sobre o seu significado, avalia e chega a uma conclusão.
O Psicólogo ao abraçar ou acumular a carreira de Investigador, tem como ponto de partida investigar fenómenos interessantes, curiosos ou invulgares que lhe aparecem à frente.
Na Investigação, procura-se explicar, descrever ou explorar os fenómenos que se escolheram para o estudo.
Contudo, na conclusão do seu próprio estudo, deve ter também consideração por outros Investigadores, repensando nas teorias apresentadas e discutindo outras teorias, pois a Psicologia não é uma ciência exacta.
- Esquizofrenia: quem padece desta psicose sabe que se não estiver devidamente medicado com uma terapêutica acertiva poderá descompensar e ter maior probabilidade das várias funções mentais entrarem em colapso, como por exemplo: a percepção da realidade (ilusões e alucinações), no conteúdo de pensamento(associações bizarras, bloqueio ou lentificação do pensamento, ideias delirantes), comportamento motor: (posturas bizarras) e da afectividade( afectos discordantes ou até repulsa).

A Esquizofrenia, é uma das grandes problemáticas patológicas de doença mental, uma realidade de saúde pública e também uma das mais referenciadas na actualidade.

Por esse motivo os Investigadores da área de Psiquiatria e Psicologia tentam incansavelmente, tratar, compreender, explicar e inclusive aliviar sintomas de sofrimento para ele próprio assim como para a sociedade.


O pintor Louis Wain (1860-1939), um artista Britânico, sofria de esquizofrenia, era conhecido pelos seus desenhos de gatos e gatinhos de olhos grandes. Estes desenhos de gatos vestidos e retratados com comportamentos humanos.~
                                                                           Fig.1
“ Os gatos de Louis Wain eram muito apreciados na sociedade londrina do início do século”, ABC da Mente Humana(1990), pag.45.

Quando o estado mental do pintor Louis Wain deteriorou, pensou-se que esses trabalhos revelavam o turbilhão que ia no interior do artista.

A dada altura, os desenhos de Wain foram enviados para a “The Bethelm Royal Hospital e onde a arquivista e conservadora Patrícia Allderidgge se dedicou ao seu estudo.” ABC da Mente Humana(1990), pag.45.
                                                        
                                                                 Fig.2
“ Estes desenhos eram considerados provas de uma deterioração do estado mental. Mas tente vê-los como desenhos decorativos baseados nos padrões dos xailes de Paisley – o que Patrícia Allderidge afirma que são. Em qualquer caso, restam muito poucos destes desenhos.”, ABC da Mente Humana(1990), pag.45.
A opinião da arquivista, sobre os desenhos dos gatos da fig.2, foi de : « Não se sabe exactamente quando foram feitos, mas não apresentam qualquer”evolução”. Nos 15 anos a seguir a ser-lhe diagnosticada a esquizofrenia, Wain continuou a pintar a desenhar no seu estilo de sempre, e a sugestão de que os seus trabalhos se tornaram cada vez mais”alucinantes” é um mito.»

Este tipo de desenhos é identificados como fazendo parte de antropomorfismo (forma de pensamento que atribui características ou aspectos humanos e Deus, deuses, elementos da natureza, animais e constituintes da realidade em geral.

  • Causas
Existem várias causas que mostram que a esquizofrenia tem vários desencadeantes e que inclusive, esta está associada a uma disfunção cerebral, principalmente do lobo frontal ( Basile, Luis F.H. 2000 ).
Assim, factores metabólicos ou ambientais que influenciem esse processo poderiam contribuir facilitando ou protegendo o desencadeamento da doença.
O artigo de Crippa, José Alexandre et al., (2005), indica que os comportamentos desviantes na idade de adolescentes, como o consumo de substâncias ilícitas poderá contribuir para o desencadeamento do Transtorno de Esquizofrenia assim como os efeitos cerebrais fazem-se notar nos estudos de neuroimagem.
  • Genéticas
Segundo Knapp & colaboradores há evidências que apontam para mecanismos genéticos como um dos principais factores etiológicos, uma vez que, podem ser observadas alterações cerebrais como por exemplo a dilatação dos ventrículos cerebrais.
Parentes biológicos em 1º grau têm uma probabilidade dez vezes maior de contrair a doença, inclusivamente, foram efectuados estudos que sugerem que a influência genética é mais decisiva que a ambiental. (Kaplan & Sadock, 2007).
Nos estudos efectuados, na actualidade, os autores ainda não podem afirmar 100% qual a causa de esquizofrenia admitindo a grande probabilidade de filhos de pais esquizofrénicos virem a sofrer da mesma patologia.
Inclusive, o autor Gottesman (1991) e referenciado por Pedro Afonso (2002), dizem que “cerca de 81% dos doentes com esquizofrenia não têm qualquer familiar em primeiro grau atingido pela doença e cerca de 91% não têm sequer um familiar afectado”. Ainda que “Verificamos que a esquizofrenia não é uma doença hereditária simples, mas sim uma doença genética complexa e multicausal, Gottesman (1991).
                                                                       Fig.3

A probabilidade de quatro gémeos idênticos sofrerem de esquizofrenia – doença com um certo padrão hereditário – é de 1 em 2 biliões. Apesar disso, aos 24 anos as quatro irmãs Genain, fotografadas aqui na festa dos seus 51 anos, foram todas hospitalizadas com esta doença”, Selecções do Reader´s Digest – ABC da Mente Humana(1990), pag.44.
  • Ambientais
De acordo com o autor Paulon, Wagner, o”homem vive no mundo e vive com o mundo e vive para o mundo”. Ora, no desenvolvimento e na própria transformação e adaptação ao meio em que se encontra inserido é natural que” do mundo para o mundo”, o homem que tenha predisposição para a esquizofrenia, sofra com os factores stressores vivenciados no seu dia a dia.
  • Neurológicas
O homem quando nasce é exposto a um meio familiar, social e adquire ao longo do seu desenvolvimento a sua personalidade, com factores associados como a genética, entre outras. Depara-se com dificuldades na integração social, económica, familiar e profissional. Este tipo de sujeito com stress acumulado, ansiedade, consumo de substâncias e ainda que tenha infecções no cérebro poderá desencadear transtorno psicótico de esquizofrenia.
  •  Neurobiologia
A causa da esquizofrenia é desconhecida, no entanto, na última década, várias pesquisas consideraram que determinadas zonas do cérebro, como o sistema límbico, o córtex frontal, o cerebelo e os gânglios basais teriam um papel fisiopatológico nesta doença (Kaplan & Sadock, 2007).
  • Hipótese da Dopamina
Através das observações da eficácia e potência da maioria dos antipsicóticos, que actuam como antagonistas do receptor da dopamina, constatou-se que este transtorno resulta do excesso de actividade dopaminérgica (Kaplan & Sadock, 2007).
  • Factores psicossociais
A esquizofrenia tal como outra doença crónica, é afectada pelo stress psicossocial e a psicofarmacologia sozinha, em regra, não é suficiente para se obter uma melhoria desejada, assim, os clínicos têm de ter em conta, os factores psicossociais, aos quais, inicialmente se atribuía o aparecimento desta doença (Kaplan & Sadock 2007).
 
2. Instrumentos de Avaliação e Intervenção Neuropsicológica
Aconselhamos alguns testes de diagnóstico, além da entrevista, TAC, RMM, também testes que passamos a descriminar, para uma melhor intervenção Psicológica ao paciente com esquizofrenia:
  • Teste de Figura de André Rey
  • Teste de Desenho do Relógio
  • Séries Gráficas de Luria
  • Teste mini-mental
  • Escala de Depressão de Beck
3. Discussão de Casos Clínicos  
Teste do Desenho do Relógio
O autor Maia, L, et al., (2007) indica uma “ prova consiste em pedir ao paciente (depois de lhe entregar 1 papel e lápis) que desenhe um relógio colocando os números nos lugares respectivos, colocando os primeiros ponteiros de forma que mostre uma determinada hora e marcando 11h 10m.
Neste teste depois de dadas as instruções ao sujeito e de ele ter realizado esta prova faz-se a classificação que vai de 0=mau-o desenho é reconhecível ou existe uma clara distorção claramente exacerbada; 1 = Suficiente - o relógio apresenta um perímetro regular/circular, com números de 1 a 12 colocados de forma simétrica; Excelente o relógio é representado de forma perfeita ou quase perfeita.”
“Através desta classificação é considerado um funcionamento próximo do normal quando um sujeito alcança uma classificação igual ou superior a 2”
Maia, et al, diz que “Considerando estes três testes, pode verificar-se que o paciente apresenta não só um padrão de funcionamento pobre e concreto, reduz os estímulos a um padrão familiar, como já referimos para o FCR e também nas séries de Luria”
“ O resultado nas três provas permitem verificar um pensamento fortemente desorganizado e com características perseverativas e com incapacidade de programação adequada da acção. Mais ainda, verifica-se uma actividade produtiva de natureza tipicamente psicótica: a criação de realidades não consubstanciadas nas regras do possível mas sim nas regras da representação”( Maia, L et al.,2007).
Maia, L (2009), num estudo de avaliação cognitiva ao paciente A, com esquizofrenia, diz que no “desenho apresenta um pensamento pobre e concreto. O sujeito não reproduz o modelo e passa a reproduzir um desenho” só constituído por uma casa de baixo valor, mas também o autor indica que é sinónimo de grande aproximação entre ele e família com quem vive (pag.17).
Ainda de que não se pode afirmar que há pobreza de pensamento, assim, deve-se proceder ao método de entrevista e só depois aplicar outros testes para se tentar compreender o porquê desse procedimento

Neste paciente (B), da (pag. 18) também apresenta uma aproximação ao esquema familiar, no estudo, tenta aproximar-se do modelo apresentado e sugerido e não com um padrão próprio.
Parece que o paciente queria desenhar um peixe, pios pelo comentário do autor Maia, L, et al.,( 2009) em que diz”tentado desenhar um animal marinho, um peixe, particularmente, apresentado o que parece se uma barbatana dorsal, uma barbatana centro-liberal direita e olho, bem como uma mandíbula, boca e nariz típico dos peixes selacimorfos ( tubarão). “
O sujeito (C) apresenta uma cópia de Teste de Rey, onde podemos observar que as características do modelo estão quase totalmente reproduzidos não se podendo observar mais pormenorizados e verifica-se que como não conseguiu uma representação com ordem, parece ter os mecanismos de memória associativas prejudicados, Maia, L, et al., ( 2009).

Reabilitação Profissional: o espectro dos programas de trabalho
Para uma recuperação eficaz torna-se fundamental o emprego. Este é fundamental para o equilíbrio do dia a dia, proporcionando objectivos com significado, desenvolvimento da auto estima, aumentando os rendimentos, aquisição de conhecimentos sociais e outras alterações que proporcionam ao paciente desenvolver a esperança na auto-imagem (Becker, D. & Naughton, 2005).
Emprego Protegido
Este termo debruça-se sobre situações em que as pessoas com incapacidade, estão com efeito, sobre protecção do trabalho competitivo e dos sistemas de produção exigidos no mercado aberto. O emprego protegido (ou “terapia industrial”) teve desenvolvimento no norte da Europa e EUA após a segunda Guerra Mundial, considerado na actualidade um modelo institucional e segregador  (Leff & Warner, 2006).
Emprego de Transição
Considera-se esta tipologia de emprego de transição como impulsionador para a aproximação ao emprego apoiado. O emprego de transição integra-se na filosofia do programa de clube psicossocial originário dos EUA nos anos 70. Com este programa, assegura-se assim a substituição do paciente por outro, no caso de este faltar ao emprego (Leff & Trieman, 2000).
Emprego Apoiado
Para uma pessoa com doença mental e com incapacidade à tolerância ao stress da mudança de emprego ou da aprendizagem de novas tarefas, o modelo mais adequado será o emprego apoiado. Este programa teve a sua concepção no inicio dos anos 80 (Wehman & Moon,1988, referido por Becker, Drake, Naughton,2005).
Filmes  e documentários sobre Esquizofrenia:


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