1. Perturbação Obsessivo – Compulsiva
Análise funcional dos sintomas obsessivos
É importante distinguir os 4
níveis de desenvolvimento de um fenómeno obsessivo-compulsivo:
- Pensamento
intrusivo
- Resposta
emocional e esquemas cognitivos de perigo
- Pensamentos
automáticos
- Pensamentos
e Comportamentos de Neutralização (Rituais Compulsivos encobertos e
abertos)
Pensamento intrusivo
O pensamento
intrusivo é um pensamento obsidiante, potencialmente repugnante e estranho ao
próprio individuo.
No que
respeita ao conteúdo cognitivo não há diferença entre os fenómenos obsessivos
observados em indivíduos normais e os que sofrem do POC.
Estimam-se que
mais de 80% dos indivíduos normais apresentam ideias obsidiantes que diferem
simplesmente das ideias dos doentes obsessivos pela sua frequência de duração,
rejeitando-as sem dificuldade (resposta
emocional e da ansiedade).
A obsessão
patológica diferencia-se de uma obsessão normal pelos mecanismos perturbados de
habituação envolvidos.
Revelam-se
semelhantes na forma, porém indistinguíveis no que respeita ao conteúdo,
significado e afeto associados.
Resposta emocional e esquemas cognitivos de perigo
Trata-se de
regras rígidas, ou de postulados internos (sistemas de crenças pessoais e
disfuncionais), frequentemente resistentes à extinção, cognitivamente
organizados em
ESQUEMAS TÁCITOS de PERIGO (DANO, AMEAÇA, DESAFIO) que se
apresentam de forma imperativa.
-
Hipervigilância
-
Hipersensibilidade ao controlo (controlo dos próprios atos e suas
consequências)
-
Responsabilidade excessiva, culpabilidade, vergonha, perfecionismo patológico,
etc
Pensamentos automáticos
- Gerados por
estímulos externos ou internos, que embora irracionais e imprecisos, parecem
plausíveis no momento em que são experienciados pelo individuo.
- Representam
uma apreciação negativista dos próprios pensamentos intrusivos.
Pensamentos e Comportamentos de Neutralização
Processo Circular
INTRUSIVIDADE - AVALIAÇÃO DA RESPONSABILIDADE - TENTATIVA DE NEUTRALIZAÇÃO - AVALIAÇÃO
A ativação gera ATIVAÇÃO, suscetível de
levar o paciente á impulsão e, consequentemente, à compulsão
Critérios de diagnóstico para
Perturbação Obsessivo - Compulsivo
- Obsessões
ou Compulsões: APA, 2006
Obsessões definidas por 1.,2.,3. E 4.:
- Pensamentos,
impulsos ou imagens, recorrentes e persistentes, que são experimentados,
durante algum período da perturbação como intrusivos e inapropriados e que
provocam ansiedade ou mal-estar intensos;
- Não
são simplesmente preocupações excessivas acerca de problemas reais da
vida;
- A
pessoa tenta ignorá-los, suprimi-los ou neutraliza-los com outro
pensamento ou ação;
- A
pessoa reconhece-os como produto da sua mente.
Bibliografia de Macedo & Pocinho, 2007
OBSESSÕES QUANTO À
FORMA
IDEIAS: Pensamentos (
repetitivos), suscetíveis de interromper o normal curso ( palavras, frases ou
rimas de conteúdo absurdo e violento).
CONVIÇÕES: Pensamentos muitas vezes de caráter mágico
RUMINAÇÕES: Pensamentos indetermináveis e inconclusivos sobre questões que não obtêm
qualquer resposta.
IMPULSOS: Preocupação de poder cometer um ato
nocivo, imoral ou agressivo.
MEDOS: Similares às fobias, envolvem
tipicamente temas relacionados com a sujidade e contaminação.
Tipos de Obsessões quanto ao
conteúdo
OBSESSÕES TAXA(%)
|
Contaminação
|
45
|
|
Dúvida
patológica
|
42
|
|
Somáticas
|
36
|
|
Necessidade
de simetria
|
31
|
|
Impulsos
agressivos
|
28
|
Impulsos sexuais
|
26
|
|
Outros
|
13
|
|
Obsessões
Múltiplas
|
60
|
A. Obsessões ou Compulsões (cont):
Compulsões definidas por 1. e 2.:
- Comportamentos repetitivos ou
atos mentais que as pessoas se sentem compelidas a executar em resposta a
uma obsessão, ou de acordo com regras que devem ser aplicadas de modo
rígido;
- Têm como objetivo evitar ou reduzir o mal-estar ou prevenir algum acontecimento ou situação temidos.
|
Compulsões
|
TAXA(%)
|
|
Verificação
|
63
|
|
Lavagem
|
50
|
|
Contar
|
36
|
|
Necessidade
de perguntar ou confessar
|
31
|
|
Simetria
e precisão
|
28
|
|
Impulsos
sexuais
|
26
|
|
Armazenar
|
18
|
|
Compulsões
múltiplas
|
48
|
Critérios de Diagnóstico (cont):APA,
2006
B. Nalgum
período durante a evolução da perturbação a pessoa reconheceu que as obsessões
ou compulsões são excessivas ou irracionais.
C. As
obsessões ou compulsões provocam forte mal-estar, consomem tempo ou interferem
significativamente com as rotinas normais da pessoa, funcionamento ocupacional
(ou acadêmico ou com os relacionamentos ou atividades sociais.
D. Se outra
perturbação do Eixo I estiver presente, o conteúdo das obsessões ou compulsões
não se restringe a essa perturbação
e. A
perturbação não é provocada pelo efeito fisiológico direto de uma substância ou
um estado físico geral.
Tipologias Sindrômicas
|
Obsessão
|
Compulsão
|
Luta Ansiosa
|
Características Adicionais
|
|
I.
Contaminação
|
Lavagem
|
Moderada
|
Comportamentos
de evitamento
|
|
II.
Dúvida patológica
|
Verificação
|
Importante
|
Vivências
de culpabilidade
|
|
III.
Obsessões de Impulsão
|
Ausente
|
Severa
|
Comportamento
secreto
|
|
IV.
Lentidão obsessiva primária
|
Ausente
|
Ansiedade
Ligeira
|
Baixa
procura de ajuda
|
Epidemiologia
- Prevalência na população geral:2 a 3%
- 4º
Diagnóstico psiquiátrico mais comum, após as fobias, perturbações relacionadas
com substâncias e perturbação depressiva major
- Adultos: M =
F
-
Adolescência: M > F
Idade média de
início: 20 anos
M – 19 anos; F
– 22 anos
- 2/3 início
< 25 anos; 15% > 35 anos
Curso e Prognóstico
- 50% - Início
súbito dos sintomas
- 50 a 70% - início após um
acontecimento de vida stressante
- 20 a 30% - melhoras
significativas
- 20 a 40% permanecem ou pioram
os sintomas
- 1/3
Desenvolve perturbação depressiva major, e o suicídio é um risco
- Prognóstico insatisfatório: submissão
às compulsões; início na infância; compulsões bizarras; necessidade de
hospitalização.
- Melhor prognóstico: bom ajustamento
social e profissional, ausência de compulsões na presença de obsessões,
presença de um evento desencadeante e sintomas de natureza episódica.
Comorbilidade
|
Diagnóstico
|
(n= 100)
|
|
Depressão
|
67
|
|
Fobia simples
|
22
|
|
Ansiedade de separação
|
2
|
|
Fobia social
|
18
|
|
Distúrbios do Comportamento
Alimentar
|
17
|
|
Abuso de álcool
|
14
|
|
Distúrbio de Pânico
|
12
|
POC versus Perturbações de controlo de
Impulsos
Compulsões ao
contrário dos problemas envolvidos no controle de impulsos, não têm geral um
elemento gratificante;
POC
e Perturbação Gilles de la
Tourette
- Tanto os
“tiques” como as compulsões são precedidos por uma sensação de “ser compelido”
e seguidos de uma sensação de alívio.
- As
compulsões são precedidas por manifestações de ansiedade e preocupações
obsessivas, o que não acontece em relação aos tiques.
POC
e Hipocondria
- Os medos de
doenças que ocorrem no POC podem ser difíceis de distinguir daqueles que
ocorrem na Hipocondria.
- Ao contrário
dos doentes com POCM os Hipocondríacos experimentam sensações somáticas e
viscerais.
POC
e Personalidade Obsessiva
- Embora a
personalidade obsessiva não seja fator necessário, nem suficiente para o
desenvolvimento da POC, os indivíduos com este padrão de traços de
personalidade estão mais propensos à POC, do que indivíduos com outros traços
de personalidade.
Modelos
Comportamentais (Foa &Kaplan, Sadock &Grebb, 2003)
Modelo derivado da teoria dos DOIS FATORES (
Mower, 1939, 1969)
1º fase: Aprendizagem
por condicionamento clássico
2ª fase: Aprendizagem por condicionamento
operante
Sumariando
As obsessões
são estímulos condicionados (à resposta de ansiedade) que têm resistido à
extinção.
Os
comportamentos (compulsões) que diminuem a ansiedade ou desconforto sentidos
com as obsessões são reforçados negativamente, tornando-se mais forte a sua
associação à obsessão.
Através de
evitamentos de tipo fóbico, o individuo procura reduzir a ocorrência de
pensamentos obsessivos que conduzem a um desconforto emocional
Modelos
Cognitivos
- CARR (1974)
- Indivíduos com POC têm
expectativas negativas muito elevadas, sobrevalorizam tanto a probabilidade
como os custos da ocorrência de acontecimentos indesejados.
- BEC (1976)
Os conteúdos
das obsessões estão relacionados com o perigo na forma de dúvida ou de aviso.
Hipótese central: Os indivíduos
obsessivos possuem esquemas cognitivos que são ativados por estímulos (internos
ou externos) gerando pensamentos automáticos negativos.
Read ( 1985)
A perturbação
reflete uma dificuldade não no conteúdo mas na organização e integração das
experiências (forma de pensamento).
O indivíduo obsessivo
compensa as dificuldades através da sobre-estruturação da sua vida impondo
limites estritos e marcadores de tempo.
Foa e Hozak (1985)
Assunções
básicas dos indivíduos com POC que os diferenciam dos restantes (salvovskis,
1985)
- Ter um pensamento sobre uma ação
equivale a desempenhar essa ação.
- O fracasso
em prevenir ( ou na tentativa) o mal próprio ou dos outros é o mesmo que ter
sido o causador desse mal.
- A não
responsabilidade nunca é atenuada por outros fatores.
- A não
neutralização na altura da ocorrência de uma intrusão é semelhante ou
equivalente a procurar ou desejar que o mal sugerido pela intrusão
eventualmente ocorra.
- A pessoa
deve (e pode) exercer controlo sobre os seus próprios pensamentos.
Efeitos
da interpretação dos pensamentos obsessivos como indicadores do aumento da
responsabilidade ( Sakovskis, 1996)
- Aumenta o
desconforto, ansiedade e depressão
- Aumenta o
foco de atenção sobre as intrusões
- Facilita a
acessibilidade aos pensamentos originais e ideias relacionadas.
-Ativa
tentativas (usualmente contraproducentes) de redução dos pensamentos e diminui
a responsabilidade associada a estes pensamentos.
Modelo
Cognitivo-Comportamental do desenvolvimento da POC
|
(a) Problemas
causados por não ter cuidado com o que se faz
(b) Aprendizagem
específica de códigos de comportamento e responsabilidades
|
|
Formação de
crenças disfuncionais
|
|
Incidento
crítico
|
|
Ativação das
crenças
|
|
Obsessões
normais tornam-se o foco da responsabilidade
|
|
Pensamentos/Imagens
mentais negativas automáticas
|
|
Desenvolvimento
extensivo de neutralização/correção
|
|
PERTURBAÇÃO
OBSESSIVA COMPULSIVO
|
PERTURBAÇÃO
OBSESSIVO
COMPULSIVO
Cognitivo: Rituais cognitivos; Atenção a informações; Negatividades; Incontrolabilidade
Preocupação
Emocional: Ansiedade; Depressão; Desconforto
Fisiológico: Estimulação aumentada; Mudança no funcionamento corporal; Perturbação do sono
Comportamentos: Evitamento e restrições
auto-impostas; Verificação repetida; Lavagem repetida; Procura de segurança
Tratamento
- Análise
funcional cognitivo – comportamental
- Observação e
monotorização dos sintomas
- Avaliação
clínica psicométrica
- Farmacologia
- Psicoeducação
- Terapia
cognitivo – comportamental
-
Psicocirurgia
Análise funcional dos sintomas
obsessivos ( Macedo$ Pocinho, 2007)
É importante
distinguir os 4 níveis de desenvolvimento de um fenómeno obsessivo –
compulsivo:
- Pensamento
Intrusivo
- Resposta
Emocional e esquemas Cognitivos de Perigo
- Pensamentos
automáticos
- Pensamentos
e comportamentos de Neutralização ( Rituais Compulsivos encobertos e
abertos )
Observação e Monitorização de
Comportamentos Obsessivo-compulsivos
- Obsessões Ideativas; Obsessões Fóbicas;
Obsessões Impulsivas e concomitantes rituais Compulsivos
- Importância da Observação e Monitorização em
contexto Institucional e no meio ambiente do doente.
Instrumentos de Avaliação Clínica mais
Utilizados na POC
- Yale – Brown Obsessive Compulsive Scale Y-Bocs, Maudsley Obsessional- compulsive
Inventory Moci, Vancouver Thougts Checklist OTC, Behaioural avoidance Test BAT,
Four Target Rituals Scale FTRS, Target Symptoms Rating Form OC, Compulsive Activity Checklist-revised CAC-R,
Belief Inventory BI, Padua Invebtory PI
Psicoeducação ( Clark & Connor,
2005)
1. Com o objetivo de motivar o paciente para o
tratamento, o primeiro passo é dar informações básicas. Questões a serem
esclarecidas envolvem:
- O que é a
POC. Obsessões, compulsões e evitamentos, possíveis causam, interferência nas
relações interpessoais e familiares.
-
Familiarização com o modelo cognitivo-comportamental
- Como a TCC
pode provocar redução dos sintomas
- Como são as
sessões da TCC
- Criar
expectativas positivas de mudança
Intervenção na POC
2.Psicoeducação
Procura ajudar o paciente a:
Ø Reconhecer os sintomas da sua doença
Ø Interpretar os danos causados pela doença
Ø Planear estratégias que ajudem a conviver com a
doença
Os pacientes
sentem-se reconfortados por terem, pela primeira vez, uma explicação para os
seus problemas. (Grever,Abreu& Shansis, 2003)
Informar acerca de: ( Cordioli, 2004,
2007)
- Sinais e sintomas; Diferenças entre obsessões e
compulsões; Causas; Possíveis
Terapia Comportamental
Técnicas de exposição
- Dessensibilização Sistemática
Ø Objetivo:
inibir a ansiedade evocada pelo estímulo condicionado, ao apresentar este
último (exposição) após ter sido induzido um estado de relaxamento profundo.
Ø O
emparelhamento do efeito resultante do relaxamento com os estímulos evocadores
de ansiedade, determinará um processo de descondicionamento da resposta de
ansiedade.
Exposição com Prevenção de Resposta
Ø In vivo ou em imaginação
Ø Pressuposto: doente aprenderia que se não
ritualizasse na presença do estímulo, as consequências temidas não teriam
lugar. Poderia ainda verificar (teste empírico da realidade) que a ansiedade
pode baixar sem ter que recorrer às habituais compulsões.
Intenção Paradoxal
Ø Tambem constitui uma técnica de exposição
Ø Tentativa deliberada do terapeuta, para
intensificar a frequência e/ou intensidade dos pensamentos ou comportamentos
problemáticos. É solicitado ao paciente que experiencie as suas obsessões a as
elabore até às últimas consequências temidas.
Paragem do Pensamento
Ø Para tratar obsessões ou ruminações obsessivas
Ø Técnica de distração
Ø O individuo vai aprendendo a ele próprio inibir os
pensamentos obsessivos, através da palavra “stop”, primeiro vocalmente e
depois, subvocalmente, até conseguir fazê-lo com êxito de forma encoberta.
A CONTINUAR...
Muito interessante sua página a temática é bastante esclarecedora
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